31 de janeiro de 2026

IFRS: o conceito de Recursos e Relacionamentos

 

Clique para ampliar

De acordo com a S1 e S2, o conceito de recursos e relacionamentos é semelhante à noção de "capitais" na Estrutura de Relatórios Integrados. Essa estrutura é fundamental para tangibilizar a sustentabilidade em termos contábeis.

Embora não seja abrangente, essa imagem acima traz um ponto de partida útil para pensar sobre a gama de recursos e relacionamentos que podem criar riscos ou oportunidades ligados à sustentabilidade e mudanças climáticas.

E é dessa forma – com base em recursos e relacionamentos – que as empresas precisarão descrever riscos e oportunidades relacionados a sustentabilidade e mudanças climáticas em seus relatórios de sustentabilidade. Seja para atender as diretrizes da IFRS ou as novas exigências da CVM 193.

2 de janeiro de 2026

Riscos e oportunidades climáticas: por que isso é financeiro?


As mudanças climáticas deixaram de ser apenas um tema ambiental e passaram a ocupar um papel central na estratégia e na gestão financeira das organizações.

 De acordo com as recomendações da TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures) – que virou IFRS em 2022 –  os efeitos do clima se materializam de duas formas principais:

 Riscos climáticos

  • Riscos de transição: associados a políticas públicas, mudanças regulatórias, avanços tecnológicos, dinâmica de mercado e reputação.
  • Riscos físicos: eventos agudos (como enchentes, ondas de calor e tempestades) e crônicos (como elevação do nível do mar e mudanças de padrões climáticos).

 Oportunidades climáticas

  • Ganhos de eficiência no uso de recursos
  • Transição para fontes de energia mais limpas
  • Desenvolvimento de produtos e serviços sustentáveis
  • Acesso a novos mercados
  • Fortalecimento da resiliência do negócio

 Esses riscos e oportunidades precisam ser incorporados ao planejamento estratégico e à gestão de riscos, pois geram impactos financeiros reais, refletidos diretamente em:

  • Receitas e despesas (DRE)
  •  Fluxo de caixa
  • Ativos, passivos, capital e financiamento (Balanço Patrimonial)

Em outras palavras: clima afeta valor, desempenho e continuidade do negócio.

Integrar clima à estratégia não é apenas uma boa prática de sustentabilidade — é uma decisão essencial de governança, gestão de riscos e alocação de capital.

#ESG #TCFD #RiscosClimáticos #SustentabilidadeCorporativa #FinançasSustentaveis #IFRSS2

10 de novembro de 2025

A COP 30 começa hoje, mas vamos falar a real?

Clique para aumentar



Sempre mostro esse gráfico, da Climate Watch, para meus alunos da disciplina de Mudanças Climáticas e Mercado de Carbono, como um convite à reflexão da insuficiência de ações para de fato alcançarmos a transição energética global.

Mesmo após quase 30 anos do primeiro tratado global para redução das emissões (Quioto) e 10 anos após o estabelecimento das NDCs (Paris), as emissões totais globais NÃO estão diminuindo - pelo contrário, estão aumentando.

Lembrando que, segundo o IPCC, se o planeta aquecer mais de 1,5ºc será ruim. E se passar de 2ºc será muito pior! O problema é que já estamos em 1,6ºc e caminhando rapidamente para os 2ºc.

O único período em que conseguimos reduzir as emissões globais, não foi intencional, mas sim uma imposição da pandemia, em 2020. Logo após o lockdown as emissões voltaram ao patamar de 2019.

E aí vem a reflexão: será que os esforços dos governos e empresas são suficientes? Quando realmente veremos as emissões reduzirem?

Financiamento climático (tema central desta COP), intercâmbio de tecnologias, mercado regionais de carbono (quiçá um mercado global) são ações que, na minha opnião, podem dar concretude à transição energética e inverter a tendência de aumento das emissões.

Espero que até 2030 eu possa trazer um gráfico mais animador para meus alunos... E vamos torcer para que esta COP 30 não fique apenas na redefinição de metas inalcançáveis.

30 de outubro de 2025

Três passos para comunicar a sustentabilidade sem erros

“Não seja aquela galinha que cacareja muito, mas não coloca nenhum ovo, tampouco, daquelas que colocam ovos e ficam em silêncio”.

Esta metáfora é apenas para dizer que muitas vezes falamos de “comunicar sustentabilidade” como se fosse um único movimento, sem darmos a devida importância ao tema. Na prática, existem três dimensões complementares que você precisa ter em mente para comunicar a sustentabilidade de forma mais efetiva:

📢 1. Comunicação PARA A Sustentabilidade
A comunicação como ferramenta estratégica para engajar pessoas e organizações em práticas mais responsáveis.
• Exemplo: campanhas educativas que incentivam o consumo consciente ou programas de sensibilização para colaboradores.

📢 2. Comunicação DA Sustentabilidade
Aqui o foco é tornar visíveis as ações, resultados e compromissos da organização.
• Exemplo: relatórios GRI, posts institucionais, storytelling sobre projetos socioambientais.

📢 3. Sustentabilidade DA Comunicação
A forma precisa acompanhar o conteúdo: trata-se de pensar se os meios e formatos utilizados para comunicar também são sustentáveis.
• Exemplo: eventos neutros em carbono, impressos em papel certificado, campanhas digitais com baixo impacto.

Quando combinamos essas três perspectivas, a comunicação deixa de ser apenas divulgação e se torna um pilar estratégico para a transformação sustentável, agregando cada vez mais valor à marca.

⚠️ ATENÇÃO: o desafio não é só comunicar, mas comunicar com transparência e coerência para não gerar percepções de greenwashing.

hashtagESG hashtagComunicaçãoESustentabilidade hashtagComunicaçãoEstratégica
https://lnkd.in/eTmENvqQ

15 de outubro de 2025

O custo ambiental de perguntar ao ChatGPT

Por que tanto consumo?

Os servidores de IA precisam de muita energia para processar dados complexos e muita água para manter o resfriamento adequado dos equipamentos. Com isso, surge uma pergunta: como contabilizar estes custos ambientais e emissões atmosféricas na gestão de riscos das empresas? E nos inventários de emissões?

Até 519 ml de água — (quase uma garrafinha de água mineral)

Até 0,14 kWh de energia (equivale a manter 14 lâmpadas LED acesas por uma hora)

Fonte: https://www.washingtonpost.com/technology/2024/09/18/energy-ai-use-electricity-water-data-centers/

1 de outubro de 2025

Quais são as categorias de omissão do GRI?


De acordo com o GRI, quando a organização não reporta determinados conteúdos exigidos, pode omitir a informação, desde que devidamente categorizada e justificada, conforme a seguir:

🚫 Não aplicável: O conteúdo ou indicador não se aplica à organização devido à natureza de suas atividades. Exemplo: Uma empresa de tecnologia pode omitir o indicador GRI 303-5 (Consumo de água) justificando que suas operações não envolvem uso significativo de água em processos industriais.

⚖️ Proibições legais: A organização apresenta “proibições legais” como o motivo para omissão quando a lei proíbe a coleta da informação necessária ou relatá-la publicamente. Exemplo: divulgação de informações que de alguma forma possam estar protegidas pela LGPD.

🔐 Restrições de confidencialidade: Os dados são considerados sensíveis ou confidenciais e não podem ser divulgados publicamente. Exemplo: Uma empresa pode omitir o indicador GRI 2-21 (Proporção da remuneração total anual) alegando que divulgar essa informação comprometeria a segurança ou integridade de seus executivos.

📉 Informações indisponíveis/incompletas: A organização não possui os dados necessários no momento do relatório, mas pode indicar planos para obtê-los futuramente. Exemplo: Uma startup pode omitir o indicador GRI 305-3 (Emissões de GEE Escopo 3) explicando que ainda não possui metodologia ou dados confiáveis para calcular essas emissões.

O nível de transparência sobre a governança está diretamente ligado à quantidade de omissões relatadas. Ou seja: quando olhamos o sumário do relatório de sustentabilidade GRI e identificamos muitas omissões, um alerta acende sobre a estrutura de governança.

#sustentabilidade #ESG #GRI

https://diagnosticoesg.my.canva.site/

16 de setembro de 2025

Soluções Baseadas na Natureza (SbN) na prática

Hoje participei de um projeto importantíssimo de recomposição da vegetação de restinga na Barra da Tijuca – o Restinga Vive, da Orla Rio (https://www.orlario.com.br/esg/restinga-vive/). O projeto une donos de quiosques na praia para fortalecer a barreira natural mais eficiente que existe para adaptação da região costeira do Rio ao avanço do nível do mar: não é concreto, não é metal, É PLANTA que vai mitigar os impactos das mudanças climáticas em nossas praias.

 

Como frequentador há mais de 13 anos, pude presenciar como a vegetação local sofreu com a ação humana, dos mais diversos tipos e origens. Com isso, as ressacas começaram a causar destruições cada vez mais intensas, “atropelando” calçadões e quiosques. Se a vegetação de restinga ainda estivesse presente, os prejuízos ($) teriam sido menores, sem dúvidas.

 

Mas hoje foi dia de celebração com a galera da Secretaria de Meio Ambiente, Orla Rio e do KitePoint Rio (K7)! Plantei três mudas de Ingá Marítima (ou Ingá-da-restinga) – espécie endêmica classificada “em extinção” pela IUCN Red List. Vou cuidar e vigiar!

Daqui uns cinco anos, espero trazer uma foto do “depois”!

#MeioAmbiente #Restinga #SbN

https://mariosaladini.blogspot.com/

30 de agosto de 2025

“Em conformidade” e “Com base” no GRI?



A principal diferença entre um relatório "em conformidade" um "com base" nas normas GRI está no nível de aderência aos requisitos da GRI e na obrigatoriedade de aplicação das normas.

Geralmente, na seção “Sobre este Relatório” deve estar explícito: “Este relatório foi elaborado em conformidade com os padrões GRI” ou “Este relatório foi elaborado com base nos padrões GRI”.

Mas, na prática, quais as principais diferenças?

11 de agosto de 2025

🚨 Consulta Pública Aberta: Norma Setorial GRI para Têxteis e Vestuário


O setor têxtil e de vestuário é vital para a economia global, mas enfrenta desafios complexos — desde questões de direitos trabalhistas até impactos ambientais, como emissões e resíduos.

O GRI está desenvolvendo um Padrão Setorial específico para aumentar a transparência e a comparabilidade das informações de sustentabilidade no setor, cobrindo toda a cadeia: da produção têxtil à fabricação de roupas, calçados e varejo.

📢 Você pode contribuir!
A minuta está disponível para consulta pública até 28 de setembro de 2025. É a sua chance de opinar e ajudar a definir as melhores práticas globais para o setor.

💻 Como participar:

28 de julho de 2025

Será que as novas normas temáticas GRI 102 e 103 são tão novas assim?


Mais ou menos. Na verdade, a maioria dos indicadores são velhos conhecidos. De fato, trazem apenas cinco novos indicadores – e não um caderno temático inteiro! É mais uma adequação, reforçando a importância do tema mudanças climáticas.

Essas foram as principais mudanças que identifiquei:

🌡️ A 102 (Mudança Climática) substituirá a 305 (Emissões), agregando 4 novos indicadores: 102-1 (Plano de transição para mitigação das mudanças climáticas), 102-2 (Plano de adaptação às mudanças climáticas), 102-3 (Transição justa) e 102-10 (Créditos de Carbono).

⚡A 103 (Energia) substituirá a 302 (Energia), agregando apenas um novo indicador: o 103-1 (Políticas e compromissos energéticos).

#ESG #GRI


25 de junho de 2025

ASSEGURAÇÃO DE RELATÓRIOS DE SUSTENTABILIDADE

A asseguração é um processo independente, realizado por terceiros (normalmente auditorias ou consultorias especializadas) para verificar a confiabilidade, a precisão e a consistência das informações ESG divulgadas por uma organização, trazendo três benefícios fundamentais:

  • Melhoraria dos processos internos de coleta e governança de dados ESG;
  • Aumento da credibilidade junto a investidores, mercado e sociedade;
  • Redução dos riscos de greenwashing.

A partir de janeiro de 2026, a CVM nº 193 exigirá a asseguração dos relatórios de sustentabilidade das empresas de capital aberto. Hoje, a maioria das empresas no Brasil faz asseguração LIMITADA. Porém, a tendência é que aumente a exigência por asseguração RAZOÁVEL.

Mas qual a diferença entre asseguração LIMITADA e RAZOÁVEL?

 

CATEGORIAS DE ASSEGURAÇÃO

 

LIMITADA

RAZOÁVEL

OBJETIVO

Declaração negativa (ex: "Nada chegou ao nosso conhecimento que...")

Declaração positiva (ex: "Em nossa opinião, as informações estão adequadamente apresentadas...")

ESCOPO

Mais restrito, com foco em áreas-chave ou de maior risco.

Abrangente, cobrindo todos os aspectos relevantes e materiais.

PROCEDIMENTOS REALIZADOS

Análises de plausibilidade, entrevistas, revisão de documentos e dados por amostragem.

Testes extensivos, confirmação de dados com fontes originais, análises cruzadas e detalhadas.

GRAU DE EVIDÊNCIA COLETADA

Evidências limitadas, com base em documentação selecionada.

Evidências extensivas e robustas, com validação direta de dados e controles.

NÍVEL DE SEGURANÇA

Moderado

Alto

TEMPO E CUSTO

Menor tempo e custo.

Maior tempo e custo devido à maior profundidade.

RISCO

Maior risco residual de erros não detectados.

Menor risco residual, maior robustez na detecção de erros ou omissões.

APLICABILIDADE

Empresas iniciantes em asseguração ou com menos exposição pública.

Grandes empresas, listadas em bolsa, ou com alto nível de exposição a stakeholders críticos.

OBRIGATORIEDADE (CVM 193)

Aceita até 2026.

Obrigatória a partir de 2026 para companhias abertas.

 

5 de junho de 2025

CHECKLIST EVENTOS SUSTENTÁVEIS

Para comemorar o Dia mundial do Meio Ambiente, criei mais uma ferramenta para nos ajudar no caminho da sustentabilidade: o Checklist Eventos Sustentáveis! São 31 PONTOS de checagem e 4 NÍVEIS de classificação para tornar seus eventos mais sustentáveis, com base na ISO20121.

Baixe GRATUITAMENTE (até 5/6/25): https://diagnosticoesg.my.canva.site/

#sustentabilidade #esg

13 de maio de 2025

PROGRAMA DE SUSTENTABILIDADE MAPLE BEAR PENEDO – CANADIAN SCHOOL


 
2024 foi um ano de muitas realizações na Maple Bear Penedo, em Itatiaia (RJ). Com foco inicial na ecoeficiência e governança, buscamos a redução dos desperdícios e uso eficiente da água, energia, papéis e outros materiais.

Acho que o ponto de destaque foi a implantação do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) que, para além do atendimento aos requisitos legais, se mostrou uma estratégia eficaz para o controle e minimização da geração de resíduos da escola.

Outras ações que realizamos em 2024:

1. Criação da Política de Sustentabilidade
2. Emissão do certificado de energia renovável (solar)
3. Criação do dashboard de indicadores de sustentabilidade
4. Substituição torneiras por modelos de baixo consumo
5. Instalação de hidrômetro no poço artesiano
6. Aquisição de máquinas de lavar louças eficientes
7. Reinstalação do sistema aproveitamento de água da chuva
8. Substituição do dispensers de papel tolha
9. Sinalização para redução no consumo de energia elétrica
10. Instalação do biodigestor para resíduos orgânicos
11. Implantação da gestão dos resíduos e coleta seletiva
12. Treinamento de professores em educação ambiental
13. Treinamento das equipes de manutenção e limpeza

É dessa forma que seguimos preparando as próximas gerações, com a expectativa que se tornem agentes transformadores para um futuro mais sustentável!

#sustentabilidade #esg #maplebear

3 de maio de 2025

MATERIALIDADE OU DUPLA MATERIALIDADE?

A transição da materialidade para a dupla materialidade é fundamental para uma abordagem que vá além das externalidades, trazendo o gerenciamento de riscos socioambientais para o centro de uma estratégia econômico-financeira de perenidade dos negócios.

hashtagsustentabilidade hashtagesg
Autodiagnóstico ESG: https://lnkd.in/e6B8N8SN




12 de março de 2025

O que é COSO e como se relaciona com a governança

 


COSO (Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission) é uma organização que desenvolve frameworks para a governança, gerenciamento de riscos e controles internos, fornecendo diretrizes para que as organizações melhorem sua eficiência operacional, confiabilidade dos relatórios financeiros e conformidade com regulamentações. Os dois principais frameworks são:

25 de fevereiro de 2025

Ferramenta de Autodiagnóstico ESG

 

Por meio de uma interface simples e intuitiva, você avalia as questões ambientais, sociais e de governança, a partir de 42 critérios e 369 práticas recomendadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT PR 2030).





Indicada para consultores de ESG e sustentabilidade, a ferramenta pode ser utilizada individualmente ou em grupos mutissetoriais, em empresas de qualquer porte, com três objetivos centrais:

 

1 - Descobrir em qual dos cinco estágios de maturidade ESG a empresa se enquadra;

2 - Identificar lacunas ESG (Gap Analysis) para a criação de planos de ação mais efetivos;

3 - Levantar oportunidades de melhorias sociais, ambientais e de governança.

 

Para saber mais sobre a ferramenta, acesse: https://dataesg.my.canva.site/

 

#esg #sustentabilidade #autodiagnostico #abntpr2030


18 de dezembro de 2024

RESUMIDA! Lei nº 15.042/2024 - Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa


A lei é extensa e requer uma leitura atenta. Considero a precificação do carbono um grande avanço para redução das emissões, mostrando como a liberdade comercial e o capitalismo podem ser aliadas à conservação ambiental. Ainda vai demorar, no mínimo, 5 anos para vermos as negociações de carbono acontecerem no Brasil. Espero que até lá, dois pontos possam ser melhorados: