O natal é uma data, acima de tudo, de confraternização entre entes queridos, comemorada tanto por cristãos como por não cristãos. Religiões à parte, nesse momento, o essencial é estar perto de quem amamos, celebrando a vida, a solidariedade e a fraternidade. Porém, diversos costumes da sociedade moderna deturparam o verdadeiro espírito natalino, gerando impactos negativos bastante significativos no meio ambiente e na sociedade. O objetivo dessa matéria não é - de forma alguma - desacreditar o natal, pelo contrário, resgatar o seu sentido.
A seguir, listamos algumas questões que podem nos ajudar a refletir para um natal mais sustentável:
LUZES NATALINAS
Nessa época, são responsáveis por um aumento significativo no consumo de energia. Segundo a CPFL, um conjunto de cem lampadinhas (o modelo mais comum encontrado no mercado), tem uma potência equivalente a uma lâmpada de 100 W e consome, a cada 10 horas de funcionamento, cerca de um kWh. Se apenas 100 lampadinhas consomem isso, já parou para imaginar o quanto as megadecorações de natal demandam energia? Um exemplo emblemático é a famosa árvore de natal da Bradesco Seguros, na Lagoa Rodrigo de Freitas (RJ). Considerada a maior árvore de natal flutuante do mundo (85 metros de altura), possui 3,1 milhões de microlâmpadas, 120 mil metros de mangueiras luminosas e 100 refletores de luz.
As luzes natalinas têm outro aspecto, muitas vezes ignorado pela sociedade: boa parte dessas lâmpadas é produzida em condições de trabalho análogas a escrava e sem nenhum tipo de controle de qualidade, resultando em produtos de baixíssimo custo e extremamente competitivos (porém com sérios riscos embutidos) sendo, na maioria dos casos, os mais procuradas pelos consumidores.
Dica: procure compensar o consumo dessas lâmpadas, reduzindo o uso de outros equipamentos domésticos como, por exemplo, o ar condicionado e, ainda, comprando produtos atestados pelo Inmetro e com tecnologias de baixo consumo de energia (lâmpadas LED).
EMBALAGENS DE PRESENTES
A profusão de embalagens para presente tem dois aspectos relevantes: a produção e o descarte de papéis. Na maior parte dos casos, esses papéis são produzidos com tintas tóxicas e celulose virgem (desconsiderando o uso de reciclados). Também recebem uma camada de verniz, o que pode dificultar ou até impedir sua reciclagem depois de descartado. Além disso, essas embalagens têm um tempo muito curto de vida útil: apenas enquanto estiverem em baixo das árvores de Natal.
Dica: procure utilizar materiais alternativos e, quando possível, reutilizar os papéis de embrulho dos presentes que você ganhou no ano anterior.
ONDA CONSUMISTA
Se por um lado isso movimenta a economia, por outro, pode gerar um consumo perdulário. A distribuição de presentes – personificada na imagem do Bom Velhinho – tornou-se algo imprescindível em qualquer festa natalina moderna. Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que esse consumo impulsiona a economia, também gera um endividamento e uma inadimplência enormes, principalmente nas classes mais baixas.
Dica: tenha em mente que os presentes não são protagonista no natal e, quando comprá-los, evite parcelamentos que, na maioria das vezes, estão acompanhados de altos juros. NUNCA COMPRE PRODUTOS PIRATAS!
EXPECTATIVAS FRUSTRADAS
No período de natal a oferta de produtos aumenta consideravelmente. Quando essa oferta é destinada, principalmente, às crianças – por meio de anúncios sedutores – o impacto é enorme, pois cria necessidades materiais e estimula o consumismo em pessoas extremamente vulneráveis, como o público infantil (vale lembrar que em muitos países a propaganda infantil é proibida). Esses anúncios, veiculados nos principais meios de comunicação, ofertam produtos com preços que não são acessíveis à boa parte da população brasileira.
Já imaginou o quão duro pode ser para um pai ver a frustração de seu filho por não ter ganho o presente anunciado televisão, que, por ser mais caro e não caber no orçamento, você não pôde dar?
Dica: não supervalorize a cultura da distribuição de presentes (principalmente para as crianças).
FESTIVAL GASTRONÔMICO
Os banquetes preparados nessa época são verdadeiros convites à gula. Quem nunca reclamou que comeu mais do que deveria? A quantidade excessiva de comida nos leva a um consumo irresponsável e inconsequente. Logicamente, parte dessa comida terá como destino certo as lixeiras, dada a dificuldade em fazer um planejamento preciso para alimentar uma família. Nesse caso a máxima "é melhor sobrar do que faltar" induz as pessoas a desperdiçarem muita comida nessa época do ano.
E o bacalhau? Para chegar na sua casa ele percorre um logo caminho (mais de 10 mil km), desde a Noruega, emitindo carbono e consumindo combustíveis fósseis em todo esse percurso.
Curiosidade: você sabia que o chester é um super frango exclusivo da marca Perdigão?
AMIGO OCULTO
Esse é o fenômeno mais curioso do Natal. Para começar, veremos como o Dicionário Aurélio define a palavra amigo: que é ligado a outrem por laços de amizade; companheiro; protetor. O que acontece então quando você é sorteado para presentear aquela pessoa que você não tem nenhuma afinidade, ou pior, não gosta? É muito fácil: as pessoas fazem listas do que querem ganhar, estipulam preços e orientam os outros a comprarem o seu presente. Ora, se a pessoa é realmente sua amiga ela saberá o que você aprecia e, por consequência, o que você gostaria de ganhar de presente.
Dica: procure outras formas de confraternização!
BOAS FESTAS E UM EXCELENTE 2013 A TODOS!




