5 de agosto de 2013

Hambúrguer de célula tronco: bom ou ruim para o meio ambiente?



Essa semana (5/8) cientistas anunciaram a criação do primeiro hambúrguer de proveta, em Londres. Apesar de possíveis polêmicas acerca dos alimentos manipulados geneticamente, a descoberta pode ser benéfica tanto para o meio ambiente e para a sociedade, quanto para a economia.

A produção de gado pode ser considerada uma das grandes responsáveis por boa parte dos impactos ambientais significativos no Brasil. Segundo reportagem da Folha de São Paulo, dos mais de 720 mil km2 já devastados na floresta amazônica, 62,2% foram ocupados por pastagens, causando uma perda, sem precedentes, de biodiversidade. Além disso, frequentemente, essas pastagens são produzidas por meio de queimadas, o que aumenta consideravelmente as emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Já o fluxo contínuo de gado, também traz dois outros problemas para o bioma: a compactação do solo e a emissão de metano (a flatulência das mais de 200 milhões de cabeças de gado lança, na atmosfera, um gás 20 vezes mais nocivo ao aquecimento global que o dióxido de carbono).

Mais um ponto a favor da carne de proveta seria o fato de que, teoricamente, a técnica evitaria o sofrimento causado aos animais no momento do abate, o que, poderia agradar a muitos vegetarianos e ambientalistas.

O impacto nos recursos hídricos talvez seja um dos que mais chama atenção. Todo produto demanda água, em algum momento de sua cadeia, para ser produzido. Por exemplo: você sabia que para produzir 1 kg de carne de boi são necessários mais de 17 mil litros de água? O Planeta Sustentável fez uma pesquisa junto à Sabesp para saber o quanto de água é necessário para produzir alguns itens que consumimos diariamente. Veja o resultado no quadro abaixo:



Um outro fator que precisa ser considerado é a demanda mundial de alimentos. Com a projeção da ONU de, até 2050, totalizarmos 9 bilhões de pessoas vivendo (consumindo e descartando) no mundo, será que conseguiremos atender ao crescente consumo de comida? Por enquanto, economicamente, o hambúrguer de proveta não é muito viável: os primeiros três protótipos custaram a bagatela de 250 mil libras esterlinas (R$ 850 mil)!

Contudo, o importante é que, além de reduzir consideravelmente os impactos socioambientais, a descoberta abre novos caminhos para a produção de alimentos e, sem dúvidas, já despertou o interesse, de grandes empresas, em produzir em carnes de laboratório em larga escala – o que, por consequência, resultaria em um valor final menor para o consumidor.