14 de abril de 2024

Como foi (e está sendo) minha transição de carreira para a sustentabilidade?

Administração de Marketing (pg. 24)

Minha vida profissional começou como a maioria dos estudantes de desenho industrial: a dura lida do estágio não remunerado! Estagiei em quatro escritórios de design até que, em 2002, passei no processo seletivo para o Departamento Nacional. Contratado como designer, fui responsável por criar catálogos, materiais educativos, exposições, folheteria, cartazes, páginas na web etc.

Sempre gostei muito de estudar e, logo após minha formatura, em 2004, iniciei minha primeira pós graduação: o tão desejado MBA em Marketing, na FGV – caminho natural para os designers que gostariam de ter uma visão de mercado mais aprofundada. Foi nessa pós graduação, após ler Administração de Marketing (KOTLER), que tive o primeiro contato com a responsabilidade social empresarial.

Me interessei tanto pelo assunto que, em 2008, resolvi me aprofundar e iniciei o MBA em Gestão e Planejamento Ambiental. Essa pós graduação me proporcionou uma visão de processos, baseada em sistemas de gestão da Qualidade Total. Desde então, o PDCA se tornou uma metodologia básica pessoal, que orientou a maioria dos projetos que criei em minha carreira.

Em 2009, já com certo conhecimento em sustentabilidade, ao perceber que havia uma lacuna na governança do Sesc, tive a ideia de criar o Ecos – Programa de Sustentabilidade, a partir do meu Trabalho de Conclusão do Curso (TCC). Foi aí que de fato começou minha transição de carreira!

Após o então diretor-geral do Sesc aprovar, com elogios, a proposta do programa, oferecemos a metodologia ao Departamento Nacional do Senac. Como os Departamentos Nacionais do Sesc e do Senac estavam em um mesmo espaço físico, entendi que seria fundamental as duas instituições avançarem juntas, principalmente, em ações como a gestão dos resíduos. Com a adesão do Senac, lançamos, no dia 23 de março de 2010, o primeiro programa de sustentabilidade do Sesc e do Senac – o Programa Ecos.


Lançamento do Programa Ecos - Maron Emile Abi-Abib (Diretor-geral do Sesc DN), eu e André Trigueiro (Jornalista)

O programa tem como missão reduzir custos operacionais, atenuar impactos negativos e sensibilizar funcionários. Em 2012, coletamos resultados robustos, divulgados por meio do nosso Relatório Anual de Sustentabilidade (metodologia GRI). Esses resultados despertaram o interesse de quase todos os 27 Departamentos Regionais do Sesc e do Senac. Quando começamos a receber as demandas para implantação de nossa metodologia, soube que o potencial de expansão do Programa Ecos era enorme. Mas foi com a adesão da Confederação Nacional do Comércio (CNC), nesse mesmo ano, que não me restaram mais dúvidas que deveria investir cada vez mais no meu desenvolvimento e no crescimento do programa.

Me capacitei intensamente (dezenas de cursos e seminários) em diversos assuntos relacionados à sustentabilidade, como: estruturação de programas corporativos de sustentabilidade, monitoramento de indicadores, elaboração de relatórios de sustentabilidade (GRI), mensuração e mitigação de impactos socioambientais, criação de políticas corporativas, alinhamento a requisitos legais, treinamento e conscientização de equipes, liderança de comitês de sustentabilidade, engajamento de stakeholders, inventários de carbono e planejamento estratégico sustentável. Conciliar a prática com o conhecimento teórico foi o que me trouxe mais credibilidade no ambiente corporativo e algumas promoçõe$.

Com a gradativa consolidação do meu trabalho no campo da sustentabilidade, fui chamado para ser membro do Grupo Técnico de Trabalho sobre Meio Ambiente (GTTMA), representando os interesses do comércio na CNC, para consolidação dos acordos setoriais de logística reversa (lâmpadas, medicamentos, embalagens, resíduos eletrônicos e embalagens de óleo lubrificante). Trabalho eminentemente político que me trouxe uma visão ampliada da necessidade de relacionamento e engajamento das partes interessadas.

Grupo Técnico de Trabalho sobre Meio Ambiente (GTTMA)

Em 2013, o diretor-geral do Sesc, me designou para a estruturação e gestão da gerência de sustentabilidade do Sesc, no Departamento Regional do Sesc, no Rio de Janeiro, em meio a um processo de intervenção administrativa, muito delicado, em vários sentidos: financeiro, político, social etc. Mas como “missão dada é missão cumprida”, criei toda a estrutura direcionadora, regimento interno e planejamento estratégico. Coordenei uma equipe de 5 analistas e 21 coordenadores de meio ambiente das unidades operacionais do Sesc RJ.

Departamento Regional do Sesc no Rio de Janeiro - Programa Ecos

Em 2015, com o fim da intervenção, retornei ao Departamento Nacional para trabalhar como especialista na assessoria de sustentabilidade, ligada diretamente à direção-geral do Sesc. Infelizmente, os três anos seguintes foram os dos piores da minha vida profissional na instituição. Questões políticas forçaram a mudanças em todo o quadro de lideranças, trazendo impactos negativos à sustentabilidade, ao ponto do Núcleo de Sustentabilidade ter sido inteiramente demitido, restando apenas eu. Nesse período aprendi que é preciso fortalecer nossa resiliência às adversidades e compreender que a vida institucional é como uma montanha-russa: às vezes você está em cima, às vezes embaixo, mas em nenhum dos dois casos você permanecerá para sempre.

As coisas começaram a melhorar em 2018, quando conclui meu mestrado em Desenvolvimento Sustentável (UFRRJ). Foram dois anos de dedicação e aprofundamento nos estudos sobre educação ambiental. Com o resultado das pesquisas que realizei, o Sesc publicou minha dissertação, sob o título de Marco Referencial da Educação Ambiental.

Em 2019, conduzi o processo de certificação do programa Ecos. Após passar pelo crivo de diversos especialistas, o Programa Ecos foi reconhecido como Tecnologia Social pela Fundação Banco do Brasil (FBB) – garante que o programa é replicável e efetivo na resolução de problemas socioambientais. Dique muito feliz com o resultado, pois agora não era eu falando que o programa era bom, mas sim uma instituição idônea. É a única, até hoje, tecnologia social certificada do Sesc. Confira o certificado em: http://bit.ly/3tePzR1.


De 2020 a 2023 foram muitos trabalhos importantes como, mas um se destacou: a criação do primeiro Indicador Nacional de Sustentabilidade do Sesc. Fui responsável por conciliar a opinião de 27 Departamentos Regionais para definição das varáveis que fariam parte desse indicador. Com apoio de formulários digitais e do Power BI, liderei o processo de pactuação, com 100% de aderência, a partir de uma proposta bem fundamentada no conceito de ecoeficiência e na coesão de todo o sistema Sesc.

Em novembro de 2023, meu ciclo se encerrou no Sesc, após 21 anos de dedicação à essa fantástica instituição. Mas um novo começou, com um novo propósito e desafio: tornar a Maple Bear Penedo referência para todo o Sistema Maple Bear, a partir de uma metodologia, baseada no ciclo PDCA e pautada pela replicabilidade do modelo de gestão.


E assim sigo, para onde quer que a sustentabilidade me leve!

Para você que deseja fazer sua transição de carreira, assim como eu, deixo aqui um mantra:

ESTUDE + REALIZE + MENSURE + COMUNIQUE

Conheça mais o meu trabalho e conecte-se comigo! https://www.linkedin.com/in/saladini/