28 de setembro de 2024

Horário de verão: volta ou não?


Sempre gostei do horário de verão. Ter sol até quase 19h30, aqui no Rio, me dava a oportunidade de estar no mar até a noite! Para mim, era uma questão de qualidade de vida. Mas a razão pela qual ele foi criado é outra: a eficiência elétrica.

Em um país essencialmente hidroelétrico (60%), quaisquer mudanças no regime de chuvas afetam diretamente o sistema de geração e a disponibilidade de eletricidade. E o cenário não é otimista: segundo o IPCC, a tendência é de ondas de calor cada vez maiores e secas prolongadas. Por isso, a discussão sobre o retorno ou não do horário de verão tem se amplificado nas últimas semanas.

Criado em 1931, só em 1985 o horário de verão se consolidou de forma frequente, com o objetivo de reduzir o consumo de energia elétrica no chamado “horário de ponta”, das 17 às 21h – quando a maioria das pessoas está em casa. A medida seguiu a lógica de que ao adiantar o relógio em uma hora, ainda haveria luz natural no horário de ponta, reduzindo a necessidade de ligar lâmpadas.

Contudo, porém, todavia... vamos (novamente) às evidências e dados. Há muitos anos que as lâmpadas não têm grande participação no consumo elétrico residencial. Como vemos no GRÁFICO, a substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes reduziu sua participação no consumo total residencial. Em 2005, as lâmpadas correspondiam a 11% e em 2021, correspondiam apenas a 4% do consumo de uma residência. E agora, que estamos na transição das fluorescentes para as LEDs, a tendência é que essa participação caia ainda mais.


Mas então, quem são os “vilões” de consumo elétrico? Antes de tudo, um parêntesis: não é o setor residencial que mais consome energia, mas sim o industrial. Então, é na indústria que reside o grande potencial de eficiência. Mas voltemos às residências... De acordo com o GRÁFICO, 57% de todo consumo elétrico de uma residência vem de apenas TRÊS equipamentos: ar condicionado, chuveiro elétrico e geladeira. Ou seja, o foco para reduções no consumo residencial não pode ser a iluminação.


Portanto, atualmente, o horário de verão tem pouca significância na redução do consumo de energia elétrica total do país (cerca de -0,5%). E terá cada vez menos. Acredito que a melhor estratégia para reduzir a pressão no sistema elétrico é a diversificação das fontes de energia (não só hidroelétrica), e o aumento da participação da MICROGERAÇÃO SOLAR DISTRIBUÍDA na matriz elétrica brasileira.

Creio que as discussões hoje giram mais em torno das mudanças nos hábitos das pessoas do que na redução do consumo de eletricidade. Para algumas pessoas os impactos são positivos, para outras, não.

E você, o que acha do horário de verão?