10 de julho de 2012
As fazendas corporativas
Quando pensamos em fazenda, logo imaginamos aquele lugar bucólico, com vaquinhas, porquinhos, galinhas, hortinhas, frutinhas e várias outras "inhas". A realidade é que, atualmente, a magnitude das fazendas e as crescentes demandas das grandes corporações multinacionais não nos permite mais colocar nenhum desses substantivos no diminutivo. Agora, tudo é "ão". Empresas como a Cargill, Tyson, Swift, Monsanto, entre outras, extrapolam os limites da produção de alimentos, impactando negativamente no meio ambiente e na saúde das pessoas – tanto as que consomem o alimento, quanto as que trabalham nas fábricas.
Em 1950 o Mc Donalds foi responsável por introduzir uma nova forma de preparar alimentos: todo o processo de preparo passou a ser mecanizado e os funcionários começaram a executar apenas uma tarefa específica como, por exemplo, colocar o molho no pão ou fritar a batata. Com isso, ganha-se em produtividade, mas paga-se salários ridículos aos funcionários, tornando-os facilmente substituíveis. A partir daí, começou-se a produzir alimentos cada vez mais baratos, maiores e num menor espaço de tempo. Isso impactou negativamente nos hábitos alimentares das pessoas, que passaram a dar preferência aos alimentos que pouco nutriam e muito faziam mal à saúde.
Então, para suprir essa demanda crescente de alimentos, a indústria começou a pensar: de que forma podemos aumentar nossa produtividade ao mesmo tempo em que reduzimos os custos operacionais? A solução: Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Um exemplo desse ganho de produtividade é que nos Estados Unidos as galinhas demoram metade do tempo para crescerem e são o dobro do tamanho das galinhas de 50 anos atrás! Muitas nem conseguem andar, pois suas patas não aguentam o grande peso que agora possuem.
Outro caso interessante e internacionalmente conhecido é o da Monsanto. A empresa criou um herbicida – o Roundup – que acabava com ervas indesejadas nas plantações. Mas, além dessas ervas, o produto estava matando a lavoura e gerando grandes perdas nas produções agrícolas. Em vez de modificar o produto, a Monsanto desenvolveu e patenteou novas sementes resistentes ao Roundup. Por serem patenteadas, os fazendeiros não podiam mais guardar a semente para o plantio no ano seguinte, sob pena de serem processados por quebra de patente. A partir daí, percebeu-se que a produção mundial de alimentos corria sérios riscos de ser controlada por poucas, mas grandes, corporações.
A falta de controle dessa produção industrial de alimentos, principalmente de carnes, resultou, também, no surgimento de novas bactérias e doenças. O surgimento, por exemplo, da bactéria E. coli (Escherichia coli) deixa mais de 73 mil americanos doentes por ano.
É necessário entender os limites da natureza e tratar os animais com mais dignidade. Não podemos enxergar esse animais como meramente produtos e nós humanos como apenas consumidores. É importante respeitarmos a lógica cíclica que a natureza segue. Aí vão algumas dicas para se alimentar de forma consciente:
- Evite produtos agrícolas fora de estação (veja a tabela de sazonalidade);
- prefira produtos orgânicos;
- evite produtos industrializados;
- peça à escola do seu filho para não vender junk food;
- procure saber de onde vem a carne que você compra;
- não coma carne pelo menos uma vez na semana.
Para entender com mais detalhes esses fatos, o cineasta americano Robert Kenner produziu o documentário FOOD INC. No filme, o cineasta revela verdades sobre o que comemos e como esse alimento é produzido. Assita o trailler:

